Dona Chiquinha‏

Não te julgues bom demais para atarefa,
pela qual o Salvador deixou o céu;
nem tão pequeno que nada possas fazer:
na colheita há lugar para todos…

 

Ontem falamos de gigantes na fé, na cultura, na extensão e valor da obra que realizaram. Hoje trazemos alguém que tem por empréstimo uma pequena casa branca, de chão de terra batida e fogão à lenha, nos fundos do Colégio Batista de Tocantins. Sequer sabe assinar seu nome que, certamente, Deus tem anotado em puro ouro lá em cima, porque é lá que ela deposita, fiel e integralmente todas as suas economias de viúva pobre.
 
Chamam-na D. Chiquinha e é absolutamente desnecessário acrescentar sobrenome, porque daquele lado do Tocantins, na igreja ou na cidade, toda gente a conhece. Como já disse, é uma viúva pobre. Para seu sustento apanha coco de babaçu e quebra-o, para fazer óleo. É um trabalho muito dificil, principalmente para quem já tem mais de setenta anos. Tem-se que afirmar com as pernas um machado com o gume para cima, colocar aí o coco e bater com algum objeto pesado. Apanha também buriti, planta mandioca, etc. Mas não é por isso que estou escrevendo sobre ela. É por causa do seu testemunho. É preciso ver a sua alegria e ouví-la dizer: “Que Pai bom eu tenho lá em cima.não me falta nada. E nem me importo de ficar sem o que comer. O que eu quero é ter algum dinheirinho para dar a igreja do meu Deus.”
 
Como não sabe ler nem escrever, D. Beatriz, a missionária, preparou-lhe um caderninho especial para os relatórios. Há quatro colunas no seu caderno. Na primeira não há desenho algum. Na segunda uma lâmpada acesa. Na terceira, uma chupeta e na quarta, uma chupeta e uma lâmpada. Se D. Chiquinha visita alguém não crente faz um traço na na primeira coluna; se há um crente, na segunda. Se visita um bebê, filho de não crente, na terceira; se o bebê é filho de crente, na quarta.
 
Não é lindo? Mas o mais bonito ainda é ver o seu caderno cheinho de traços. Tantos que ela não sabe contar. Para os folhetos distribuídos ela faz traços em outro papel. E assim irmã Chiquinha vai dando o seu testemunho, levando a outros as Boas Novas que um dia ela ouviu daqueles que foram para o sertão falar de Deus.

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